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Novos ares!
Hum,quem sabe mudar de ares não me anime e traga de volta a vontade de escrever, falar de mim? Nunca é demais tentar!
Que venham as palavras!
Segue aqui meu novo endereço,mas deixando claro que sempre que der vontade eu posso voltar a escrever no blogger.Pois sim!
Tomem nota:
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio" Drummond!.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 4:00 AM
Feito concha...
Ando feito concha, assim, fechada. Hermeticamente voltada para o meu eu interior. Quando me sinto assim, as palavras não chegam, o sentimento nunca vem e eu não consigo expor o que sinto nem para mim mesma. "Lutar com palavras é a luta mais vã", diria o poeta, e eu assino embaixo, pois nunca me vi tão enredada pelas palavras que disse e mais,pelas que eu não disse.Por isso prefiro fechar-me feito concha que nunca sabe onde termina ou começa, como concha que apenas se deixa ficar no fundo do mar,sem saber se amanhece no mesmo lugar ou se as águas a levarão para longe. Fechada que estou,as vezes,não deixo entrar nenhum verso mais doce, nenhuma palavra acalentadora que seja.Mas ao mesmo tempo, me protejo do que não é bom, da energia negativa que porventura atravanque meu caminho.Ando triste, triste que só vendo. Sabe passarinho quando cai do ninho? Ou gato, quando roubam-lhe o prato?Há muito deixei de fazer até as coisas que muito me alegravam. Deixei meu sorriso esquecido por ai e minhas letras igualmente perdidas,esquecidas no fundo dessa minha mente cansada.No fundo eu queria mesmo era levantar de vez e mudar o rumo dessa prosa.Mas há muito ando tão desiludida que nem isso consigo fazer. Enfim, talvez o que eu escrevo aqui não tenha nexo nenhum. Ou talvez seja enfim, este blog perdido nessa vastidão inexorável de universos da grande rede, o que há de mais concreto, o que denota mais nexo na minha vida nesse momento.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 2:03 PM
Pensamentos,divagações...
As vezes eu fico pensando em quão bom seria se tivéssemos um botão liga/desliga preso na nossa cabeça.Um botão que assim que começassêmos a pensar coisas ruins pudéssemos desligar ou quando os pensamentos fossem bons, pudessêmos então deixá-lo ligado ininterruptamente.Ah! esta vida cotidiana!Como as vezes acordar de manhã para trabalhar exige um esforço supremo, como em outras tantas vezes um simples levantar parece carregado de um peso repressor.Tenho passado os meus últimos dias no que se pode chamar de ócio criativo.Nenhuma palavra,nenhuma poesia,nem mesmo vontade de ouvir música ou de escrever palavras tortas por aqui.Uma preguiça que eu não sei de onde vem,uma vontade estranha de não fazer nada o dia inteiro e de quando obrigada a fazer, não fugir um miligrama sequer do que foi previsto ou antecipamente milimetrado.Falta de criatividade,sabem? Falta de vontade de criar,seja o que quer que seja.E eu que sou toda palavra me perco dentro do inefável silêncio.E este silêncio me corta por dentro e me faz ser o que não sou acostumada a ser.Me faz beber mesmo sem sede,e me faz rir mesmo sem sentir vontade.No espelho, a moça de óculos que agora usa lentes,pode até enxergar a vida por outro ângulo;mas ainda assim pode-se perceber que há algo estranho com ela.As vezes me pego suspensa no ar e penso se não seria esta tal falta de criatividade apenas uma fase? Não teria algo de bom por aí esperando por mim?Mas em seguida, insinuam-se as tantas vozes que me puxam pra baixo e que me prendem no exato local em que estou.Numa hora destas faz falta o supracitado botãozinho.Aquele que me desligaria de tudo e me poria um riso no rosto,destes meio frouxos, curiosos, que a gente nem sabe como começou ou quando vai terminar,mas um riso sincero e vazio de pensamentos ruins.Destes que estou com saudades de dar.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 7:19 PM
Escuridão
Era ela ali
na escuridão.
E ninguém a via
ninguém a esperava na estação
e quando chovia não estendiam a mão
Nada ou ninguém
nada bem
tudo de novo como antes
no quartel,na geral, ao redor.
A escuridão tomava conta de tudo. Do seu nome, de sua voz e do que ela sentia.
Era ela ali,sem ninguém.
Sem abraço e sem esperança.
Para onde será que vão as pessoas na escuridão?
Os sem nome e sem carinho
para onde vão?
Os que não são entendidos
os que nunca compreendidos
Para onde? Para onde? Para onde?
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 11:13 PM
Cinema
"Só quem sonha o azul do vôo,sabe o seu poder de pássaro."
Thiago de Mello
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 6:50 PM
Poucas palavras
Porque tem dias que eu prefiro os bichos.Porque tem época em que são só os animais que nos restam. A humanidade está podre, e precisa ser extirpada da árvore da vida.As pessoas praticam o mal e se divertem e outras tantas insistem no bem e seus sorrisos parecem fora do lugar, fora de moda.A chuva lá fora não para de cair e só a minha esperança persiste.Tenho sede de amor.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 1:55 AM
O nosso João Hélio...
"O menino é o pai do homem"; diz Machado de Assis em um de seus famosos romances. E lembro bem de que quando os meus irmãos eram pequenos eu já previa neles o muito do que eles são hoje, pequenas nuances que o meu olhar também infante, porém sensível, conseguia perceber por entre aquelas retinas infantis. Toda criança tem um sonho. Ir à Lua, ter um cachorro com asas, beijar a professora do Jardim, ser um super herói. E é natural que um dia, alguns de seus sonhos se realizem, senão todos, ou que eles mudem e sejam trocados por outros. Pelo menos é assim que deveria ser. É estranho para mim, sempre foi, que não seja assim com todo mundo. E uma das coisas que sempre me machucaram, desde tempos imemoriais é o fato de muitas pessoas terem muito e outras tantas terem pouco, muito pouco. Esta desigualdade nua e cotidiana que corta morros e avenidas e separa em fileiras realidades distintas. A fila da boate famosa não é a mesma dos que esperam donativos do governo. A fila do INSS não é a mesma do cinema do shopping da zona sul. A fila do aeroporto em férias de verão não é a mesma que se forma para ver os corpos estirados de crianças mortas por policiais. E assim a vida segue seu curso e eu vejo cada vez mais aparecer na TV e fora dela, retratos de um Brasil menos verde e amarelo do que vermelho sangue. Um Brasil que mata meninos inocentes e os arrasta por ruas até que eles se desfaçam no asfalto. Um Brasil que apaga sonhos infantis e os destrói em questão de segundos. Um Brasil onde menores matam menores, onde a inocência dá lugar à frieza cadavérica da tribo dos sem coração. E os sem coração neste caso, apesar de tudo, também são vítimas. Vítimas de uma sociedade que gera miséria e que incita a indiferença dos que têm sobre os que não tem. Um sociedade que ensina valores na escola e que depois esgarça estes mesmos valores à luz do dia. Hoje eu chorei de vergonha. Chorei e vi minha alma soluçar ao ver a tristeza daquela mãe sem seu filho, sem seu filhinho lindo. Chorei porque senti vergonha de ser brasileira, de ser humana e de fazer parte da mesma época da tribo dos sem coração. E chorei também por causa deles, chorei por causa daqueles jovens negros que de tão desesperados, tingiram também de negro seus corações. Chorei por mim, chorei por aquela família, chorei por aquele menino que partiu pra longe. Chorei por ele como se ele fosse meu e do fundo do meu coração desejei que Deus em sua infinita misericórdia perdoasse a tribo dos sem coração, a família daquele menino, o menino, a mim, o Brasil. Que este menino que não chegamos a conhecer, a não ser pela tela vazia do televisor, nos diga mais do que seus seis anos de vida o permitiram. Que ele nos toque o mais fundo que puder e que esteja enfim realizando um de seus sonhos, voando pra junto de Deus.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 3:11 AM
EU,
Gosto daquela hora no finalzinho da tarde quando um bando de pássaros risca o céu fugindo pra outro lugar.Ganhei um concurso de lambada na minha rua aos 8 anos.Tive princípio de pneumonia aos cinco meses, o que me acarretou uma saúde delicada e problemas alérgicos.Sou dengosa e mimada e definitivamente a pessoa mais bagunceira que eu conheço.Gosto de rir alto com amigos e de fazer graça para os mesmos (Só não sei contar piada!).Tenho verdadeira paixão pelos gatos,apesar de amar quase todos os bichos.Quero um dia conhecer a Índia e entender que espécie de ligação sobrenatural é esta que eu nutro por este lugar no mundo.Gosto de chamego,carinho e aconchego quando estou amando(e quando não estou também).Vivo cercada de livros e papéis e estou sempre lendo alguma coisa.Quero conhecer meu país de ponta a ponta,conhecer os lugares que permeiam minha alma e meu coração,no exterior, quero conhecer além da Índia, a África,O Japão e a Oceania.Sou geminiana até o último fio de cabelo e vivo as nuances de ser tão indecisa e intensa.Se amo,amo com força e se odeio,odeio com vontade,não sei viver nos extremos e sim,sempre no olho do furacão.Tenho uma forte ligação com a África,amo comer peixe assado,massas,pães e doces.ODEIO ACORDAR CEDO e fazer algo de forma apressada.Detesto que me pressionem ou me exponham.Sou discreta e não curto chamar a atenção(fora em alguns momentos).Sou calma e meio zen,vivo num mundo paralelo criado por mim e muito dificilmente deixo que as pessoas que me conhecem logo de cara adentrem meu universo particular.Morro de medo da morte,e de tudo que ela ainda há de me tirar um dia.Tenho dificuldade em aceitar perdas e vazios; e ao mesmo tempo sou cheia de vazios e precipícios.Sou falante(falo pelos cotovelos) e tenho também meus momentos de silêncio e de sombras.Gosto de vôlei e futebol na copa.Curto babados,saias e vestidos mas não dispenso uma boa calça jeans.Nunca provei chimarrão e adoro a tecnologia (só não vão conseguir inventar nunca um coração cibernético!).Assisto desenhos animados e com o Montell Jordan na pista não consigo ficar parada.Tenho uma forte conexão com a dança.Quando estou dançando me aproximo de Deus,porque há em cada transpiração uma alegria pela vida e por meu existir.Quero ter três filhos e muito mais amigos.Quero me realizar no trabalho,apesar de saber o quão dura é a vida de um professor de literatura neste país chamado Brasil.Votei no Lula para presidente,queria entrar para o Greenpeace e morro de medo de cobras e rãs.Adoro o sotaque pernanbucano e adoro fazer amor com chuva batendo na janela e no telhado.Queria percorrer o Brasil de bicicleta,porém não sei andar de bicicleta.Nunca usei drogas e sou míope desde os 18 anos.Não sei nadar,amo chocolate,cinema e crianças.Tenho paixão por pessoas,principalmente as interessantes,exóticas e criativas,além é claro,das espirituosas.Queria ter conhecido Anne Frank e gostaria de ter o poder de Blimunda sete sóis.Não sou o pequeno príncipe,mas assim como ele,acho que devemos ser responsáveis por aquilo que cativamos.Quero muito ser feliz no amor,adoro o número 7, meu ascendente é sagitário e eu odeio Jiló.Ponto final.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 2:59 AM
De meninas e sóis...
Nascera com o sol esparramado por entre suas retinas.E desde cedo percebera que se espalhar pelas coisas era bom,assim como era bom,ver/aquecer as pessoas ao seu redor.Era uma menina com o sol por dentro, e sempre que amanhecia e o sol lá fora,beijava todo o quarto, ela absorvia aquela força e deixava-se envolver por aquela áurea irrestrita, deixando-se irradiar inteira pelos móveis,objetos,fotos,papéis,lençol e cama.O sol que ardia dentro dela as vezes se encontrava com o sol lá fora e quase sempre era uma festa de luzes e cores naquele quarto perdido naquela cidade. A menina sabia ser amiga e sabia ser arredia quando necessário.Tinha a fome de mil sóis e quem tivesse a chance de dela se aproximar tinha sempre dois caminhos.Fugir de seu calor/queimadura ou se aproximar de seu calor/carinho.Sair para ver o mar era um de seus passatempos preferidos e foi diante dele,que um dia pediu um amor/passarinho.É que ela queria cuidar de alguém,responderia,se caso a perguntassem.Mas logo cedo,percebera,que amar seria uma das coisas mais dificeis de acontecer e que o amor era a coisa mais linda e a coisa mais complicada, tudo isto ao mesmo tempo.Ah! esta menina com o sol por dentro era tão sonhadora! Gostava de arquitetar sonhos e aventuras,de cavalgar em cavalos marinhos e dormir em nuvens azuis de formatos diversos.Gota a gota,bebia a vida,como se esta fosse um grande copo do suco mais saboroso ou da bebida mais quente e salutar.Tinha um jeito único de se demorar nas pessoas e sob a pele de seus olhos podia-se perceber o mundo.No fundo,tinha um universo particular que era só seu e quase ninguém ousava romper este segredo,ou mesmo se aproximar deste mundo infinito e trancado a sete chaves.No entanto,muitos se enamoraram do seu jeito, a muitos ela ofereceu sua cama e seu leito,mas ninguém conseguira ficar.É que a menina tinha um jeito só seu de permanecer sem no entanto deixar que alguém permanecesse.Porque no fundo este calor que ela emanava queimava tanto quanto aquecia.É que no fundo o amor que ela suscitava preenchia tanto quanto doía.Melhor ficar longe,diriam muitos. É preferível o amor que aquece,mas que não queima,o amor que enobrece e que só esquenta a chama do amor,quando há amor, e não quando é só desencontro.No fim a menina segue seu caminho.Até que encontre alguém que tenha olhos de a olhar,sem se queimar.Alguém que aceite correr o risco de se envolver com alguém feito de abismos,prestes a derrubar.De feridas prestes a se abrir,porque o amor além de chama,também evapora.E além de vento,também semeia tempestades.Porque ela é uma menina com o sol por dentro,feita de precipícios também.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 12:43 AM
Reveillon,um ano de blog, reminiscências do ano que passou...
E mais um ano novo chegou, e já é dia 10, número cheio.Sabe aquele ano que a gente nem sente quando ele chega? Pois está sendo assim com 2007.Reveillon na ilha em família, amigo-secreto de praxe, queima de fogos na praia,um monte de comida gostosa e uns quilinhos a mais.Já é um novo ano e eu não sei bem por onde começo, se é que começo.O ano novo me pega de calças curtas e ainda cheia de afazeres burocrático trabalhistas.Mas enfim, lá se foi 2006, um ano que se não foi para todo mundo,pelo menos para mim, foi deveras problemático.No ano que se passou eu perdi um grande amor e descobri um outro: o amor por mim mesma.Foi o ano em que o amor desistiu de mim e eu dele e talvez seja exatamente por isto que as coisas começaram a caminhar quando eu aprendi que o mais correto era relaxar.No ano que passou eu fiz novos amigos,muitos colegas e alguns inimigos(que a vida é mesmo assim).Foi o ano em que fui ao fundo de mim mesma e descobri meu interior, o meu inferno e o meu paraíso e voltei para a minha África,me emocionando por me sentir parte desta grande diáspora que circunda o mundo.E me vesti de marrom e me cobri de púrpura e cor terra,dançando e clamando pelos quatro cantos esta minha sede de descobertas.No ano que passou consegui um novo emprego,uma grande responsabilidade e algumas dores de cabeça,mas o bom é que no final,descobri muito sobre o que eu era e sobre o que eu deveria deixar de ser,que é de descobertas e tomadas de consciência que a vida é feita.No ano que se foi,me reencontrei com a dança e me permiti crescer com ela;conhecendo meus limites e me surpreendendo com o que ela era capaz de fazer comigo.Ah! a dança!Esta maravilhosa terapia e portentoso milagre! E como dancei, e como fui feliz por entre passos,voltas e contorcer de sapatilhas!Agora vejo o quanto apesar de bagunçado este ano foi importante.É como se eu soubesse que para sempre ele será um divisor de águas em minha existência, pois acima de tudo, a palavra chave para o ano que se findou foi CRESCIMENTO.Crescer para entender,crescer para sobreviver,crescer para surpreender.E ao passo que cresço, vejo que o meu redor também muda."Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Muda-se o ser, muda-se a confiança/Todo o Mundo é composto de mudança/Tomando sempre novas qualidades",já diria Camões.E este meus er já mudado anseia pelo que há de vir.Anseia por novas façanhas e espera resignado que este mundo de meu Deus resolva tomar jeito,que já não é sem tempo.E quanto ao meu primeiro ano de blog eu só tenho mesmo a agradecer as pessoas doces e simpáticas que conheci através dele.Poetas,professores,estudantes,donas de casa,mães de família,meninas,mulheres.Um universo intenso e vibrante que me foi dado a chance de conhecer.Que em 2007 eu possa continuar acompanhando suas histórias e quiçá conheça outras tantas e me emocione igualmente.É chegada a hora de deixar o novo ano tomar posse do que é seu e por falar em posse,tomo eu também do que é meu:minhas letras,meus lugares,caminhos tortos,amigos,amores,imagens,cheiros,temores.Estarei preparada?!
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 2:48 AM
Desencontro
Estavam quase todos lá. Faltaram apenas dois, dos 52 da noite e nenhum da turma da manhã. E ali,enfileirados em cadeiras de braço, esperavam pelo último pedaço de papel que definiria a nota na matéria.Era a prova de fogo para eles, e quanto a mim, o resultado eu já tinha.E fiquei ali,por um tempo, a observar aquelas pessoas que eu não conhecia, pessoas que apesar dos quase seis meses de convivência eu não tinha conquistado e nem elas a mim,salvo raríssimas excessões.Ser professor, as vezes, é deveras difícil. Foram muitas as situações das quais não esqueci, situações que me prenderam a um tempo perdido,um tempo de crescimento e de dor,tempo para pensar e resguardar.Eu quis dar certo nestas turmas,quis fazer o meu papel,mas não deu.Foram tantas as situações chatas, que todos os dias, o que eu queria e conseguia,era apenas dar o assunto da matéria do dia e nada mais.Nada de gracejos,alegrias e brincadeiras que formam o perfil de minhas aulas.Ali eu ia apenas para cumprir o meu papel técnico de ministrar aulas sobre poesia e poetas.Poesia e poetas eu disse.E foram aulas sem a emoção merecida,tudo porque eles não tinham olhos para me ver, nem ouvidos para me ouvir, de tão preocupados que estavam com suas próprias vidas, suas próprias notas, seus próprios umbigos.Algumas vezes eu imaginava ter conseguido quebrar um pouco daqueles paredões de pedra.Ledo engano.De súbito,percebia que eu não havia avançado nada e que os sorrisos de participação, se convertiam em olhares maliciosos e comentários maldosos depois.Se fiquei triste com a batalha perdida? Fiquei sim. Mas em contrapartida nas duas outras turmas eu tive um semestre de paz e alegrias que não podem ser medidas ou definidas.Ali eu pude ser eu,estar em mim,fazer da literatura um longo caminho,porém um caminho de alegria sim.Ontem,foi o meu último momento do semestre com meus alunos da faculdade.Ontem,o dia de minha redenção.O dia de olhar para eles e pensar o quanto eu cresci e o quanto foi bom ter mudado e aparado minhas arestas para novas oportunidades.Era eu lá no meio deles, e eles absortos que estavam em suas provas,nem perceberam que um raio de amor rondava a sala.Era o meu raio,o meu que eu lançava com meu olhar de fera enjaulada,de ser humano pronto para amar e perdoar e acima de tudo para esquecer o que não foi bom e só guardar o que quero guardar: os momentos únicos e sinceros daqueles que conseguiram ter olhos para me ver e ouvidos para me ouvir,que professor quer é isto mesmo: Atenção.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 3:03 PM
Dançando para não dançar
Quando penso nas voltas que o mundo teima em dar,eu me lembro sempre das primeiras vezes que comecei a dançar.Era a década de 80 e eu ficava em frente à tv assistindo aos programas de auditório.Na tv entre outros, tinha uma moça chamada Gretchen que mexia e rebolava o bumbum freneticamente.
Vocês morreriam de rir se me vissem imitando seu rebolado em meio à risos descompassados da platéia que era feita por meus irmãos e pais.Aqueles anos com certeza seriam a época mais feliz de minha vida,mesmo porque eu entrei e saí dela ainda criança e como todo mundo sabe é essa a nossa melhor época,o nosso melhor tempo, pois não precisamos nos preocupar com relativamente nada:casa,trabalho,coração,tudo ainda não está definido e a única coisa com que a gente tem que se ocupar é com a maneira mais caprichada de se divertir... Era um tempo em que a televisão preenchia quase todo o nosso tempo,pois ainda não existiam internet wireless,palm tops ou celulares super potentes, com suas tecnologias desenfreadas.Doces tempos...Hoje em dia até criança faz propaganda de sabão em pó e até mesmo elas,dançam em programas de tv,com micro saias e maquiadas de tal maneira que parecem ter no mínimo o dobro de sua idade. Na tv tínhamos O Chacrinha,o Bolinha,O Sílvio Santos...Pessoas que tomavam a nossa tarde de sábado com as coisas mais curiosas que só mesmo mentes privilegiadas poderiam inventar.O dia era feito para o sonho,para a diversão,e acima de tudo para provocar o riso...Desde aquele tempo eu trocaria fácil fácil uma tarde de brincadeiras para passá-la todinha em frente à tv. Anos 80...eu era feliz e sabia que era...tenho agora o saudosismo pungente que me leva a crer que a vida mudou muito,e que agora tudo é meio que construído.Não sabemos mais quem somos e o que somos com certeza não é a representação real do que somos.Ou seja,estamos pela metade,fingindo que estamos felizes,fingindo em ser o que querem que nós sejamos. Pelo menos é assim que eu me sinto,nessa tarde morna e fresca de 04 de Dezembro do ano de 2006.Sinto-me sufocar e não querido Drummond,os meus ombros diferentes dos seus,não suportam o mundo.Sinto-me cansada mas morrendo de vontade de viver.Mas é como se não pudesse,como se uma mão me puxasse para trás e me segurasse com seus dedos de garra.Queria entender e compreender porque as coisas mudaram tanto,porque o mundo está assim de pernas pro ar e porque acima de tudo não temos tempo pra quase nada....
Alguém poderia me responder?
No mais quando fico assim como estou agora,sem respostas,uma coisa que me anima e que me traz de volta é a dança.Eu amo dançar e posso passar horas em frente ao espelho inventando coreografias para as músicas que gosto de ouvir.Dançar me faz bem e anima a minha alma trazendo-a de volta.Na minha casa todo mundo dança.Minha mãe,meu pai,meus irmãos.Aliás por aqui isso é muito comum.Acho que dançar faz parte da cultura baiana.Dançamos arrumando a casa,dançamos tomando banho,dançamos no meio da rua,numa fila de banco.Talvez haja a consciência de que a dança é arte e que sem a arte a gente não vive nem sobrevive... Eu quero ser assim,seguir dançando e cantando.Talvez ,eu cure minhas feridas encontrando o famoso equilíbrio para a minha vida.Mesmo sabendo que ninguém é todo o tempo feliz, acredito que é o modo como lidamos com nossa vida que vai fazer dela feliz ou triste...Por isso eu danço para não dançar,danço porque quero continuar viva,danço para acima de tudo...
sobreviver.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 8:00 PM
Era do sonho
Estamos vivendo a era do sonho.A volta da crença em valores há muito esgarçados,há muito esquecidos.Pois,nunca a humanidade precisou tanto do sonho.Nunca ela precisou tanto da arte e do sonho que esta suscita.Há na atualidade, em cartaz no cinema,uma grande profusão de filmes que abordam situações e personagens oníricos. Já fui ver quase todos.Histórias que abordam o desconhecido,o inexistente,os contos de fadas, que retratam personagens, que, "felizes para sempre", parecem rir de nossas vidas comezinhas e nem sempre óbvias.E se o cinema é uma espécie de extensão do que o homem pensa e deseja, nada mais natural do que vermos refletido na tela, justamente o que nos falta.Precisamos do sonho porque a vida se tornou deveras pesada.Precisamos do sonho,porque o coração reclama cuidados e o amor,essa fonte que nunca deveria secar,é a coisa mais rara de se conseguir e manter.Precisamos do sonho porque o preço do pão aumentou,porque o preço da gasolina aumentou,porque o preço da vida aumentou.Há muitas promoções nas vitrines,muita queima de estoque,mas nada que nos deixe esquecer que é tempo de homens partidos,homens que mendigam o pão e que enxergam nas vitrines não as promoções que elas apresentam,mas sim o descaso dos que podem não somente ver,mas comprar o que elas oferecem.Sim,porque aproveitar uma promoção é fácil,difícil é olhar para o lado,para o irmão amarelado de FOME. Precisamos do sonho porque a política, a desigualdade social,os juros,a correção monetária e a inflação vão mal.Precisamos do sonho porque as doenças assolam o mundo, e por mais que nos doa,nos que sofrem dói ainda mais.Morrer de fome dói.Morrer de sede dói.Morrer de AIDS dói.Morrer sozinho dói.
Precisamos do sonho, acima de tudo, para que a loucura não se estabeleça.Precisamos do sonho para que a tristeza não nos tome de assalto, e para acreditarmos que vale a pena se estar vivo.Estamos na era do sonho, e podemos fazer nossas apostas.O mundo há de continuar sonhando.Porque a vida, esta está cada vez mais longe do que é sonho.
Surpreendentemente,plena de realidades.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 2:15 AM
Descobertas
Descobri que os que secam,os que ardem de desejo e os que queimam de vontade são os mais felizes.Mais felizes porque põem pra fora o que lhes vai na alma,sem pensar ou conjecturar sobre o que outras pessoas vão achar ou fazer a respeito.Descobri também que os loucos são os mais livres.Livres,porque a loucura por si só, já lhes dá passaporte para fazerem o que bem quiserem, funcionando também como bálsamo e perdão prévio, para as loucas insanidades cotidianas que eles venham a cometer.Descobri em seguida, que por mais que a gente se empenhe, se prepare, ese dedique a alguma coisa,vai ter sempre alguém que não gosta da gente, que nos deseja o mal, que nos sinta inveja e que não suporta nosso cheiro,torcendo o nariz quando passamos.Para estas pessoas não significaremos nada além de um nome solto ou idéia vaga,pálida imagem que não fica e/ou permanece.Descobri outras tantas coisas, pensei bem em vários assuntos e eis-me aqui enfunada, e em parafuso, a buscar a maior,mais difícil e mais nefasta descoberta: A descoberta de mim mesma, a descoberta que me leva à mim,ao meu eu interior,que me faça esquecer dos outros por um momento e que me apresente sem reservas ao meu caos e abismo intangível, feito de dor,gozo e desvelo.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 5:11 PM
Equilíbrio:do Lat. aequilibriu.
As vezes eu me pergunto porque nunca aprendi a andar de bicicleta. Nunca me deixei saber ao certo como seria estar em alta velocidade,descendo por uma grande avenida,com o vento no rosto e o coração a mil.Quando eu era adolescente eu bem que tentei, mas confesso que o medo de cair e o medo de estragar a bicicleta alheia sempre me bloqueou e esta vontade foi aos poucos ficando para trás,deixando em mim um gosto de coisa mal resolvida. "É preciso se ter equilíbrio!",sempre me disse a minha irmã.E acho que aí sempre foi o xis da questão:equilíbrio.Como manter a mente serena e o equilíbrio se eu morria de medo de cair?de não conseguir?No fundo, equilíbrio foi algo de que sempre precisei na vida e não só no que dizia respeito à bicicletas.As vezes me sinto como uma equilibrista que por trabalhar fazendo manobras numa corda bamba,por estar frente a frente com o perigo todos os dias,não consegue simplesmente relaxar e curtir o momento.Eu sou muito assim.Por nem sempre estar preparada para os perigos da vida,muitas vezes deixo de relaxar e simplesmente curti-la.Acho que é aí que entra o equilíbrio,a divisão correta entre o que é ruim e o que é bom,entre o que faz sofrer e o que nem merece ser lembrado,juntando as duas partes de um sentimento,balanceando as idas e vindas dos nossos caminhos.Se olharmos a imagem da bicicleta como metáfora da vida,saberemos que com a gente é assim:se relaxamos e esquecemos o medo de cair,passamos horas maravilhosas de entretenimento.Mas se nos podamos,e deixamos o medo ser mais forte,pouco vivemos,pouco experimentamos.Eu ainda desejo aprender a andar de bicicleta, ainda desejo muitas coisas.O que me falta é exatamante o equilíbrio para discernir e perceber a hora exata de começar, a hora exata que terei coragem enfim de viver,e de deixar a vida,esta bicicleta multicor,me levar pelas ruas...E o vento no rosto irá me lembrar que estou viva.Ainda.E talvez por muito tempo.
Suspirado pela Garota Bossa-nova às 11:05 PM
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